


Patrícia Costa
Moacir Caetano
André Gonçalves
Andar sem poesia
é queimar o pé
na areia fria.
É mergulhar no seco,
saborear o gosto ruim,
voar com os pés no chão...
Provoca, incomoda, queima,
ou não...
Às vezes a poesia são os pés descalços
pisando a areia quente...
Morro, vivo, morro, vivo...
Constantemente!
Fecho os olhos
para a mulher barriguda
que carrega um filho sem pai
Fecho os olhos
Para o futuro dessa criança
De pés no chão, sem livros, sem educação
Fecho os olhos
Para o que está ao meu lado
me incomodando, ferindo, tirando o sossego
Chega! Não quero mais ver!
Vou desligar a televisão
rasgar os jornais
esquecer a compaixão
ignorar os sinais
e dormir em paz!